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Cristina Prochaska: "O teatro é onde eu realmente tenho prazer." (Entrevista)

Entrevistamos a atriz Cristina Prochaska. Descontraída e espontânea, ela fala sobre a carreira, os novos projetos e, claro, saúde.

Cristina Prochaska é uma mulher que transpira arte e conhecimento. Fala sobre qualquer coisa, sem pudores e é sempre muito sincera. Em alguns anos de profissão foi jornalista, atriz, treinadora de time de futebol, apresentadora, e conciliou isso tudo com a carreira de "mãe". Cristina conversa com a gente sobre essas experiências e muito mais.

 

Cristina, observando a sua carreira, vemos que você sempre foi uma workaholic e que trabalhou em áreas diferentes. Fazendo uma análise de todas essas experiências, que trabalho te deu mais prazer?

 

Cristina Prochaska: Eu sempre fui muito inquieta e curiosa. Não é da minha personalidade me fechar em um único projeto. Meu pai sempre gostou de fotografia e cinema, foi ele quem me deu a minha primeira câmera aos 13 anos de idade. Cresci vendo meu pai montando seus filmes super 8 mm na mesa da sala de jantar. Ele é dentista e escritor. Acho que herdei dele a curiosidade pelas artes. A atriz nasceu comigo. Bem pequena eu já me vestia com as roupas da minha avó e fazia "apresentações" para a família nos almoços de domingo. A publicidade foi o que eu escolhi para ir à faculdade. Acabei pulando para o jornalismo... É isso que eu sou: uma metamorfose ambulante.

 

Você fez muitas novelas. Analisando o que vemos hoje na TV, você ainda considera a telenovela um produto bacana?

 

Cristina Prochaska: Pergunta difícil. Eu peguei uma geração que produziu grandes novelas. Eram outros tempos. "Vale Tudo" foi um marco, "Que Rei sou Eu " a melhor novela que eu fiz como atriz. Com muito poucas exceções, acho que a telenovela se esvaziou em conteúdo, forma e qualidade.

 

Prefere trabalhar como atriz e apresentadora ou por trás das câmeras?

 

CP: Prefiro sempre os bons trabalhos. Os que me dão prazer. Independente de que posição eu jogo no time. Escolho meus trabalhos pelo conteúdo ou pelo prazer. Claro que hoje eu poderia estar em situação financeira bem confortável se tivesse seguido um caminho mais focado em um "departamento", acontece que eu não consigo, minha alma cigana não fica quieta.(risos)

 

Qual é sua relação com o teatro? Algum projeto?

 

CP: O teatro é onde eu realmente tenho prazer. É o palco que me realiza como artista. Só não faço mais porque produzir teatro no Brasil está cada dia mais difícil. As Leis de Incentivo na minha opinião só ajudam os "famosos" ou os que estão no ar em telenovelas. Eu não tenho mais paciência para bater nas portas das empresas. Procuro produções independentes e não conto com dinheiro. Faço por puro prazer. Estou lendo dois textos no momento. Ainda não sei quando começaremos a produzir, sei que será em breve, estou com sede de palco.

 

Como foi fazer a primeira personagem homossexual da TV brasileira?

 

CP: Um projeto sensacional. “Vale Tudo” continua sendo uma das melhores novelas que a TV brasileira já produziu. Coragem. Foi preciso coragem e dedicação para não cair no estereótipo. Amei fazer e dar vida a controvertida Lais. Acho que foi aberto o espaço para a discussão saudável do assunto.

 

Você acha que hoje em dia o preconceito é menor?

 

CP: Acho sim. Hoje falamos mais abertamente sobre assuntos que já foram tabu. Não acredito que o preconceito tenha terminado, mas com certeza contribuímos para que a opção sexual de cada um seja mais respeitada.

 

Foi noticiado ontem que a Rede Globo vetou algumas cenas de um casal gay que estava fazendo sucesso na novela das oito. Como você encara essa censura?

 

CP: Censura deveria ser abolida. Por que não censuram o BBB, que é de uma vulgaridade única? A censura para mim só deveria existir no âmbito da auto censura. Usar o bom senso e a dignidade para conviver em sociedade, respeitando o outro como ele é e com as opções que fez na vida.

 

Você já treinou uma equipe de futebol feminino. Como foi essa sua experiência?

 

CP: Pois é, viu o que eu disse sobre minha "alma cigana"? Há 10 anos eu decidi ir morar nos EUA, para poder ficar mais perto da minha filha Nina, hoje com 20 anos. Minha carreira tinha tirado dela o meu tempo. Achei que seria importante para a formação dela uma experiência em outro país. Ela começou a jogar futebol em um time local, em 2 meses eu treinava o time e mais um de voleibol. Sempre adorei esportes. Nos EUA, o futebol está crescendo muito e o futebol feminino hoje é o esporte mais praticado pelas garotas.

 

Essa experiência te influenciou a seguir no jornalismo esportivo?

 

CP: O jornalismo esportivo foi o início da minha carreira na TV Bandeirantes. Foi como eu comecei na TV. Antes da atriz, eu já trabalhava ao lado do Luciano do Vale no Show do esporte aos 19 anos.

 

 

Gosta de assistir partidas de futebol? Para que time você torce?

 

CP: Sou são paulina doente . Assisto aos jogos, vou ao estádio e uso a camisa do time. Assisto futebol regularmente na TV também.

 

No dia a dia você pratica algum esporte?

 

CP: Pratico com voracidade o esporte da sobrevivência!(risos). Além disso, gosto de nadar.

 

Para você, o que é levar uma vida saudável?

 

CP: Ser feliz. Estar em paz consigo e não perturbar a vida alheia. Quanto à alimentação, sou radical. Não como alimentos com glúten ou lactose. Há 2 anos sigo essa dieta, claro que tem dias que a gente come uns brigadeiros porque senão a vida fica chata. Mas minha alimentação é bastante regrada e isso me dá muita energia e mantém meu peso , pois tenho tendência genética a acumular quilinhos. Tomo clorofila diariamente e isso fez uma revolução no meu organismo. Me oxigena, faz tudo funcionar. Mas tem que ter cuidado, tem muita gente produzindo a clorofila de maneira inadequada e isso traz problemas ao intestino e sobrecarrega o fígado, temos sempre que estar atentos à origem dos alimentos que ingerimos.

 

Cirurgia plástica. Já fez? Acha bacana?

 

CP: Adoraria, mas não tenho coragem. Morro de medo. Quem sabe um dia. Mas não penso nisso não. Eu sempre sei quando alguém faz plástica, fica estampado no rosto. Então para que?

 

Como você encara as mudanças que a idade traz?

 

CP: Fazer o quê? Tem que encarar o espelho e conviver com ele com dignidade. Eu sou o conjunto de tudo o que eu já vivi. Não digo que nunca tive vontade de voltar uns 20 anos no tempo com a experiência que eu tenho hoje, mas isso não é possível.

 

Algum projeto em andamento? Planos para o futuro?

 

CP: Eu sou a rainha do "projeto". Sempre tenho pelo menos 3 ou 4 ao mesmo tempo. Estou investindo na minha carreira de fotógrafa e viajando várias cidades com minha última exposição. Estou lendo 2 peças de teatro e abri uma Empresa de Treinamento para profissionais que têm dificuldade em se expressar. A DUO, com a Márcia Nunes. Temos viajado bastante fazendo estas oficinas e workshops e isso tem me dado muito prazer. É muito bom pegar uma turma de empresários e "destravá-los". Isso permite que eu devolva à sociedade um pouco do que só a estrada e o palco te ensinam. São oficinas e workshops de Comunicação Verbal, muito bacanas e o resultado é surpreendente. Acabei também de gravar como atriz - "As Brasileiras", seriado para a TV Globo.

* Esta ferramenta não fornece aconselhamento médico. Destina-se apenas a fins informativos gerais, não pretende concluir nenhum diagnóstico e não aborda circunstâncias individuais. Não é um substituto do aconselhamento ou acompanhamento de profissionais da saúde. Alertamos que o diagnóstico e o tratamento não devem ser baseados neste site para tomar decisões sobre sua saúde. Jamais ignore o conselho médico profissional por algo que leu no www.saude.com.br. Se tiver uma emergência médica, ligue imediatamente para o seu médico.

Esta matéria pertence ao acervo do saude.com.br

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