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Filtro solar pode evitar conjuntivite

Estudo mostra que, no verão, o maior vilão da conjuntivite tóxica e alérgica é o protetor solar

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No Brasil, o uso de filtro solar ainda é pequeno. Tanto que, segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), os casos novos de câncer de pele passam de 8 mil por ano, doença que tem como principal fator de risco a falta de fotoproteção. O problema é que, muitos dos brasileiros que protegem a pele dos efeitos nocivos do sol, usam filtro solar químico e acabam tendo conjuntivite, inflamação da conjuntiva, membrana que reveste o globo ocular.

Um levantamento feito pelo oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, mostra que, no verão, 46% dos casos de conjuntivite tóxica são causados por filtro solar, 39% por bronzeador e 15% por maquiagem. Além da conjuntivite tóxica, o médico diz que o filtro solar químico é também o maior vilão da conjuntivite alérgica. A doença, ressalta, é mais comum em quem já tem predisposição a quadros de alergia, como, por exemplo, asma, bronquite, dermatite tópica, entre outras. Pode também ocorrer em pessoas que, de tanto ter contato com ingredientes alergênicos – corantes, aromatizantes e conservantes –, desenvolvem sensibilidade a estas substâncias contidas nos protetores.

O médico também destaca que, quanto mais alto o FPS (Fator de Proteção Solar), maior é o risco, porque o número de componentes é maior. O especialista explica que, no calor, o aumento da transpiração e a aplicação de duas camadas de filtro solar, para que a preservação da pele seja efetiva, facilitam a penetração nos olhos e provocam tanto a conjuntivite tóxica como a alérgica. Por isso, afirma, a forma mais segura de proteger simultaneamente a pele e a visão é usar filtro solar físico que reflete a radiação ultravioleta (UV), ao contrário dos filtros químicos que absorvem a radiação.

 

Como identificar o filtro solar físico


Leôncio diz que, em geral, o filtro solar físico é comercializado como bloqueador infantil. Não quer dizer que todo protetor infantil esteja liberado. A dica do médico é verificar se a fórmula contém somente óxido de zinco e dióxido de titânio. São estas substâncias que caracterizam o bloqueador físico. Como têm PH neutro, dificilmente provocam irritações oculares.

 

Sinais de perigo


Passar filtro solar e sentir ardência nos olhos indica perigo. Isso porque este pode ser o primeiro sinal da conjuntivite tóxica. Para evitar a progressão da doença, o profissional recomenda lavar abundantemente os olhos e instilar uma lágrima artificial para retirar as substâncias irritativas. Insistir no uso pode causar lesões na córnea, alerta o médico.

Depois de instalada, ele diz que a conjuntivite tóxica e a alérgica têm os mesmos sintomas: coceira, vermelhidão, pálpebras inchadas, sensibilidade à luz, lacrimejamento e queda da visão. A diferença é que, na alérgica, o primeiro sinal é a coceira intensa que só regride com a melhora da doença. O especialista afirma que, para reduzir este desconforto, podem ser usadas compressas geladas.

Os tratamentos das duas doenças são similares e variam de acordo com a gravidade. Por isso, a recomendação é consultar um oftalmologista se a irritação ocular persistir por mais de dois dias, depois de tomados os primeiros cuidados – aplicação de lágrima artificial e de compressas geladas.

 

Prevenção extra


Além da conjuntivite tóxica e alérgica, a propagação de conjuntivite bacteriana e viral, que são bastante contagiosas, cresce cerca de 20% no verão, segundo o oftalmologista. Aglomerações, compartilhar objetos pessoais, água de piscina ou mar e mãos contaminadas são os principais fatores de risco para o contágio dos olhos.

As recomendações do médico para preservar a saúde ocular são:

• Evite excesso de filtro solar, bronzeador ou maquiagem na região dos olhos;

• Lave os olhos em casos de penetração de substâncias químicas;

• Na exposição ao sol, enxugue a transpiração ao redor dos olhos com toalhas descartáveis;

• Lave com frequência o rosto e as mãos;

• Não compartilhe produtos de beleza, toalhas de rosto ou colírios;

• Evite coçar ou levar as mãos aos olhos;

• Use óculos de mergulho para nadar, óculos de proteção para trabalhar com produtos químicos e lentes com proteção UV em ambientes externos;

• Interrompa o uso de produtos que causam desconforto nos olhos;

• Substitua as lentes de contato por óculos na piscina ou praia;

• Evite usar colírio ou receitas caseiras sem o conhecimento de seu médico.

* Esta ferramenta não fornece aconselhamento médico. destina-se apenas a fins informativos gerais, não pretende concluir nenhum diagnóstico e não aborda circunstâncias individuais. Não é um substituto do aconselhamento ou acompanhamento de profissionais da saúde. Alertamos que o diagnóstico e o tratamento não devem ser baseados neste site para tomar decisões sobre sua saúde. Jamais ignore o conselho médico profissional por algo que leu no www.saude.com.br. Se tiver uma emergência médica, ligue imediatamente para o seu médico.

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