um infinito de informações: saúde, meio ambiente, inclusão social, qualidade de vida e mais...

Solidão feminina na meia-idade: você já ouviu falar sobre o assunto?

Saiba mais sobre esse tema que tem se tornado cada vez mais atual, com entrevista exclusiva da psicóloga e psicanalista Maria Tereza Borba

img

A solidão feminina na meia-idade, ou seja, entre mulheres de 40 a 60 anos, tem atraído bastante atenção de psicólogos e psicanalistas. Na nossa sociedade, é comum nos depararmos com relatos de mulheres dessa geração sobre sentimentos de fragilidade, de abandono e de solidão. Mulheres que, em muitos casos, renunciaram às suas carreiras e vontades individuais para criarem os filhos, servirem os maridos e cuidarem sozinhas de suas casas, pois foram educadas desse modo, sentindo que esse era o seu dever.

De acordo com a psicanalista Maria Tereza Borba, não podemos deixar de lado as questões sociais e culturais dentro desse contexto. “Se você fizesse uma entrevista e fosse perguntar isso há um tempo atrás, as mulheres, mesmo que estivessem num casamento, em uma relação que não fosse satisfatória, não se permitiam deixar a vida de casada. Mesmo que, por vezes, soubessem que eram traídas, por exemplo. Ou porque não tinham sua independência financeira, mas muito porque temiam serem mal vistas. Só você dar uma olhada na literatura, como as mulheres eram vistas se passassem de uma certa idade e continuassem solteiras”, explica.

Desse modo, esse sentimento de solidão das mulheres na meia-idade pode causar impactos físicos e mentais na saúde, seja a curto ou a longo prazo, principalmente se forem recém-separadas. “Você tem que se deparar com uma nova vida, e não é fácil para uma pessoa mais velha. Essa solidão pode trazer a depressão, a ansiedade, um desamparo, por conta da falta de apoio e a falta de relações significativas”, comenta Maria Tereza.

A psicóloga afirma ainda que esse fenômeno não tem classe social e pode acontecer com mulheres independentes financeiramente. Nesses casos, elas normalmente passam a ser mais exigentes, não aceitam qualquer relação, o que pode ocasionar o problema. “Elas começam a se valorizar, a ter uma autoestima maior, procurar um trabalho, começam a refazer a vida, se reinventar, buscando a possibilidade de ter uma vida mais feliz, inclusive não precisando casar novamente. Muitas vezes a pessoa não quer perder a sua individualidade mais, quer namorar mas manter suas questões particulares”.

A pandemia da covid-19 também tem influência direta nesse cenário. A necessidade do isolamento social pode ser um fator causador no aumento dos casos de desamparo e solidão de mulheres mais velhas. “A pandemia atingiu todas as pessoas, porque foi algo nunca visto antes, nunca vivenciado por nós, de qualquer idade. A solidão ficou maior, principalmente em 2020 e até essa metade de 2021. A pandemia trouxe questões para todos, não só para os pacientes, mas também para os psicanalistas e todas as pessoas em geral. A pandemia causou muitos problemas, de as pessoas não aguentarem, ficarem doentes psiquicamente”, conta.

Segundo Maria Tereza, esse cenário é comum entre as mulheres, mas é preciso ter atenção aos sinais mais graves, justamente por conta das consequências que essa solidão pode trazer para a saúde feminina. A psicanalista afirma que, para quem já é uma pessoa solitária, o cenário pandêmico pode piorar ainda mais, e destaca a importância de procurar ajuda médica adequada.

“Eu acho que é preciso buscar uma ajuda emocional, psicológica ou psicanalítica. Valorizar a experiência que a pessoa tem de vida. Procurar desenvolver potencialidades, através de um trabalho ou uma criação, que também ajuda a satisfação emocional e financeira. Procurar se cuidar fisicamente, na sua alimentação, criar um hábito de leitura, caminhar ou fazer exercícios em casa para ir descobrindo coisas boas para si, porque aí você vai conseguindo dormir melhor e vai aumentando a autoestima. Vai descobrindo que pode ser feliz sem ter ninguém ao lado, ou encontrar alguém legal e se aceitar mais. É um processo”, conclui a especialista.




Maria Tereza Borba, psicóloga e psicanalista

Contato: (21) 2422-4785

[email protected]

* Esta ferramenta não fornece aconselhamento médico. destina-se apenas a fins informativos gerais, não pretende concluir nenhum diagnóstico e não aborda circunstâncias individuais. Não é um substituto do aconselhamento ou acompanhamento de profissionais da saúde. Alertamos que o diagnóstico e o tratamento não devem ser baseados neste site para tomar decisões sobre sua saúde. Jamais ignore o conselho médico profissional por algo que leu no www.saude.com.br. Se tiver uma emergência médica, ligue imediatamente para o seu médico.

  • Esta matéria pertence ao acervo do saude.com.br