É uma doença na qual o endométrio (tecido que reveste o útero) cresce em outras regiões do corpo, como na região da pelve, nos ovários, no intestino e na bexiga. A endometriose produz dor, sangramento irregular e, eventualmente, infertilidade. As células do endométrio situadas fora do útero respondem ao estímulo dos hormônios produzidos pelos ovários, iniciando-se um processo de multiplicação. De modo diferente do que acontece no endométrio, essas células não descamam em cada período menstrual e continuam crescendo gradualmente. Esse processo gera cicatrizes e aderência ao redor dos ovários, obstaculizando a trajetória normal dos óvulos.
As causas da endometriose não são conhecidas com exatidão, mas existem diversas teorias, como, por exemplo, a da menstruação retrógrada: as células liberadas durante a descamação da menstruação podem retroceder pelas trompas de Falópio até a pelve e o abdômen, lugar em que se implantam e crescem. Outras teorias mencionam a predisposição genética.
A endometriose produz dor crescente durante os períodos menstruais, que pode ser percebida até uma ou duas semanas antes da menstruação. A dor pode ser sentida na região abdominal inferior ou na região baixa das costas, a qualquer momento do ciclo, e pode estar associada ao ato sexual ou à evacuação intestinal (quando o tecido endometrial encontra-se aderido ao intestino grosso). Entretanto, a presença de dor não é permanente, pois algumas mulheres não apresentam esse sintoma apesar de terem casos severos de endometriose. Geralmente, o período menstrual é muito irregular.
O exame clínico permite detectar nódulos na parede posterior da vagina e na região ovariana. Para confirmar o diagnóstico, deve ser realizada uma laparoscopia, técnica na qual é introduzido um tubo óptico na cavidade abdominal através de um pequeno corte na parede do abdômen. Também é possível obter amostragem de tecido para biópsia. A identificação, no sangue, de certos marcadores biológicos que aumentam durante a endometriose não tem utilidade para o diagnóstico pois não são específicos; são úteis, porém, para o acompanhamento da doença.
O tratamento depende da extensão da doença, determinada pela laparoscopia, do desejo da paciente de engravidar no futuro, dos sintomas e da idade. Nos casos de endometriose leve em mulheres jovens, o progresso da doença pode ser controlado, realizando-se um acompanhamento periódico. Durante a gravidez, existe uma regressão da endometriose. Esse fato determinou o desenvolvimento de terapias hormonais com estrogênios e progesterona. Também existem tratamentos que provocam uma pseudomenopausa (período que também é regressivo para a doença): são ministrados hormônios androgênicos sintéticos para reduzir os níveis de estrogênios e de progesterona, ou drogas que inibem, na hipófise, a produção do hormônio que atua sobre os ovários, estimulando a síntese de estrogênios e progesterona. A cirurgia é o procedimento recomendado às mulheres com endometriose severa, que geralmente produz infertilidade.