É uma dificuldade de controle neuromotor (nervo e músculo). É o resultado de um dano ao cérebro que impede que ele amadureça completamente. A paralisia cerebral afeta aproximadamente de 2 a 5 crianças para cada 1.000 nascidos vivos. Esta taxa não mudou muito nos últimos 40 anos, apesar de avanços em obstetrícia e no cuidado de crianças recém-nascidas. Antigamente, era pensado que a maioria dos casos de paralisia cerebral era causado por uma falta de oxigênio à criança durante o nascimento. Porém, recentes estudos indicaram que a maioria dos casos vêm de problemas durante a gravidez. Em pelo menos 50% dos casos, a causa da paralisia cerebral não é conhecida. Muitas crianças que desenvolvem paralisia cerebral não têm nenhum fator de risco conhecido. Causas de paralisia cerebral pós-natal (depois do nascimento) são raras. A maioria das crianças que desenvolvem paralisia cerebral nasceram de uma gravidez que chegou ao termo (completou a duração esperada). Prematuridade e baixo peso no nascimento aumentam o risco de paralisia cerebral. Mas, até mesmo para crianças de peso muito baixo ao nascimento, o risco de paralisia cerebral é de 15% a 20%. Crianças prematuras que sangraram dentro do cérebro têm o maior risco de paralisia cerebral. Há três tipos gerais de paralisia cerebral, que dependem da parte do cérebro que foi atingida. A paralisia cerebral espástica é o resultado de dano ao córtex cerebral. Esta parte do cérebro envia sinais nervosos aos músculos. A espasticidade é caracterizada por braços e pernas duros. Já a paralisia cerebral discinética ou atáxica reflete dano para a área no encéfalo chamada cerebelo (a parte do sistema nervoso que controla a coordenação motora). Isto resulta em problemas com movimentos suaves, coordenados. Enquanto isso, a paralisia cerebral coreoatetoide é o resultado de dano ao gânglio basal (células nervosas profundas, dentro do cérebro, próximo à junção do encéfalo com a medula espinhal). É marcada por movimentos lentos e espontâneos dos músculos, sem controle normal. Tipos misturados de paralisia cerebral são bastante comuns porque muitos fatores desencadeantes podem causar dano ao cérebro de uma criança.
Na maioria dos casos de paralisia cerebral, a causa não é conhecida. Contudo, alguns casos podem ser relacionados a problemas no trabalho de parto. Isto pode acontecer se o cérebro da criança é privado de oxigênio por um período de tempo. O fator de risco mais importante para a paralisia cerebral é a prematuridade. O risco é maior para crianças muito prematuras e aquelas com mais baixo peso de nascimento.
A paralisia cerebral afeta partes do cérebro envolvidas no controle voluntário de movimento. A maioria dos movimentos em crianças jovens é de uma natureza reflexa. Devido a isto, é difícil de diagnosticar paralisia cerebral em crianças com menos de 6 meses. Contudo, alguns sinais precoces podem prover pistas. Qualquer criança que está lenta em ganhar habilidades motoras normais deve ser investigada para que se descarte a possibilidade de ter paralisia cerebral. Isto é especialmente verdade quando um retardo motor acontece em uma criança que tem desenvolvimento cognitivo normal. Crianças com paralisia cerebral podem ter tônus muscular mais baixo ou mais alto que o normal. Perda auditiva também pode acontecer. Tratamento precoce para maximizar a audição pode evitar retardos no desenvolvimento da fala. Além disso, a visão deve ser avaliada rotineiramente. Crianças prematuras têm frequentemente problemas sérios de visão. Pode haver dano à retina, camada de células nervosas da parte de trás do olho que recebe luz e envia sinais visuais ao cérebro, e estrabismo, que acontece em aproximadamente 75% das crianças com paralisia cerebral. O diagnóstico e o tratamento precoces podem prevenir perda visual. Desordens de fala e de idioma podem acontecer. Retardo mental acontece em aproximadamente 60% de crianças com paralisia cerebral. Aqueles com inteligência normal podem ter inaptidão para aprender. Algumas formas de convulsão desenvolvem-se em aproximadamente 25% das crianças com paralisia cerebral.
A paralisia cerebral é diagnosticada por uma história cuidadosamente levantada e um exame físico e neurológico completo são realizados. O médico procurará sinais de deficiência neuromuscular (anormalidades de força, movimento ou coordenação) em uma criança ou jovem. Estes, normalmente, aparecem como alterações no tônus muscular. Outro indicador é a incapacidade da criança em executar certas tarefas a uma idade apropriada. Pode levar tempo para o diagnóstico ficar claro. Alguns sinais da desordem podem mudar com o passar do tempo. Outros sintomas podem aparecer depois do diagnóstico ser feito. Um neurologista pediátrico (especialista em nervos e desordens de cérebro em crianças) pode ajudar a confirmar o diagnóstico.
Todas as crianças com paralisia cerebral têm problemas com controle neuromuscular. Muitos deles podem se beneficiar de fisioterapia. Isto lhes ajudará a desenvolver habilidades motoras. Programas de estimulação precoce podem ajudar crianças mais jovens e seus pais a maximizar o desenvolvimento. Eles também proveem terapia e ajuda para a família se ajustar à situação incomum. Terapias experimentais mais novas podem ajudar crianças com problemas de tônus muscular e deformidades de esqueleto. Estes incluem relaxantes musculares, como baclofeno ou metocarbamol, cirurgia ortopédica e neurocirurgia. Terapia de fala e idioma podem ajudar com dificuldades de articulação de palavras. O planejamento educacional deve começar antes da criança alcançar a idade escolar. As crianças com paralisia cerebral devem ser ajudadas a conduzir uma vida tão normal quanto possível. Elas devem ter a chance de participar dos mesmos tipos de atividades sociais e recreativas que crianças que não possuem a doença.