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Ney Matogrosso: "Minha relação com o palco é basicamente teatral, seja cantando, dirigindo ou atuando." (Entrevista)

Ney de Souza Pereira, mais conhecido como Ney Matogrosso, é um cantor, compositor, dançarino, ator e diretor brasileiro. Em entrevista para o Saude, ele conta um pouco sobre sua carreira, sobre o projeto que é voluntário e sua vida pessoal

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Em meio à produção de novos projetos, o cantor Ney Matogrosso ainda se dedica ao Movimento de Reintegração de Pessoas Atingidas pela Hanseníase, do qual é voluntário. Na entrevista, concedida por telefone ao portal saude.com.br, ele cobra uma atitude do governo para eliminar a doença e fala sobre a carreira, MPB e saúde, entre outros assuntos.

Depois de homenagear Ângela Maria, Chico Buarque, Villa-Lobos e Tom Jobim, chegou a vez de Ney cantar os sambas de Angenor de Oliveira, o Cartola. A turnê "Ney Matogrosso Interpreta Cartola" ganhou registro ao vivo em CD e DVD (este, em especial, com imagens inéditas do depoimento de Dona Zica, mulher de Cartola, pouco antes de falecer em janeiro). Ney revisita clássicos como As Rosas Não Falam, O Mundo é um Moinho, O Sol Nascerá, Peito Vazio e Ensaboa, que traz o coro das Gatas, evocando o canto das lavadeiras.

No momento, está em estúdio com o grupo Pedro Luís e A Parede. Não é a primeira vez que o cantor se junta à banda. Ney e Pedro Luís se apresentaram em outubro do ano passado nos concertos MPBr no Rio de Janeiro, e Ney já havia gravado músicas de Pedro Luís. O novo disco, bem como as apresentações, estão previstos para março de 2004.

Conhecido sobretudo pela maneira extravagante de se apresentar, com maquiagem, roupas excêntricas e a bela voz aguda, sempre criou polêmica, e um de seus maiores sucessos foi Homem com H (Antônio Barros). Seus discos da década de 70 (Pecado, Bandido, Feitiço, Seu Tipo) foram marcantes em sua carreira.

Além de cantar, Ney dirige e ilumina espetáculos. Já dirigiu o Prêmio Sharp em homenagem a Ângela Maria e Cauby Peixoto e shows de Cazuza, Simone, Chico Buarque e Nana Caymmi, só para citar algumas feras da música brasileira. "Minha relação com o palco é basicamente teatral", define o cantor. No final dos anos 60, quando chegou ao Rio de Janeiro, seu primeiro trabalho foi como iluminador na Sala Cecília Meireles. Fez a iluminação de grandes shows, como por exemplo Paratodos, de Chico Buarque, a convite da atriz Marieta Severo. Ney estreou no cenário musical com o grupo Secos & Molhados, no auge da ditadura militar em 1971 e seguiu carreira solo a partir de 74, quando o grupo se desfez. Em 32 anos de carreira, lançou 28 discos.

No teatro, o artista dirigiu as peças Somos Irmãs e Cinco Pontas de uma Estrela e atuou em A Viagem de Ruth Escobar. No cinema, atuou no longa Sonho de Valsa (1987) de Ana Carolina e no curta Caramujo Flor (1991) de Joel Pizzini, premiado em Brasília e Gramado.

 

Você é voluntário do Movimento de Reintegração de Pessoas Atingidas pela Hanseníase. O que precisa ser feito pelo governo para eliminar esta doença, que já foi erradicada em todos os países da América Latina?

Ney Matogrosso: Primeiro, o governo tem que decidir acabar com a doença e dar informação à sociedade. Existe remédio nos postos de saúde que foi doado por uma multinacional, mas ninguém sabe disso. O governo, e só ele, pode fazer isso, precisa lançar campanhas de esclarecimento.

 

O que é ser voluntário de um movimento como este?

Ney Matogrosso: Tudo tem dois lados. Fico muito feliz em ajudar as pessoas que sofrem de hanseníase, que são pessoas desamparadas. Por outro lado, sinto ódio por elas serem mal tratadas, por serem submetidas ao descaso.

 

Ao longo de sua carreira tem dado para notar a diferença entre os públicos no Brasil (do Rio, São Paulo, Bahia, etc.)? E no exterior? Alemanha, por exemplo.

NM: Não vejo diferença com relação aos públicos no Brasil. Na Alemanha, por exemplo, onde me apresentei três vezes, a receptividade da plateia foi maravilhosa. Os alemães amam a música brasileira em geral, mesmo não entendendo a nossa língua. Nossa musicalidade é atraente e eles adoram.

 

Como surgiu o projeto "Ney Matogrosso Interpreta Cartola"?

NM: Gosto do Cartola e já havia gravado duas músicas dele antes (Pescador de Pérolas e À Flor da Pele). Na verdade, era para ser uma homenagem a Cartola apenas como um brinde do livro "Ousa ser" (um livro de fotos tiradas ao longo da trajetória de Ney por Luiz Fernando Borges da Fonseca e com uma longa entrevista ao artista plástico Bené Fontelles) e como o livro atrasou, acabei lançando o disco primeiro.

 

Você tem planos de revisitar a obra de outro artista?

NM: Já estou trabalhando com o Pedro Luís & A Parede e o disco será lançado em março de 2004. Eu conheci o Pedro Luís antes do lançamento do seu primeiro CD.

 

Além de cantar, você também dirige e faz a iluminação de espetáculos. Qual é a sua relação com o palco?

NM: Minha relação com o palco é basicamente teatral, seja cantando, dirigindo ou atuando. A primeira vez que pisei no palco foi via teatro. Adoro interpretar.

 

Você sempre gostou de animais. Como é a sua relação com os bichos?

NM: Não sei viver sem a companhia dos bichos. Do pouco tempo que passei em casa sem eles, senti muita falta. Os animais oferecem afeto sem pedirem nada em troca.

 

Como é a sua alimentação?

NM: Tenho uma alimentação normal, mas como pouco.

 

Pratica alguma atividade física?

NM: Faço musculação e alongamento todos os dias. Agora comecei a fazer pilates também.

 

O que você gosta de ouvir quando está em casa?

NM: Olha, não escuto muita música em casa. Prefiro ler. Leio compulsivamente e sobre qualquer assunto. Às vezes, vou à livraria e compro uns três livros de temas variados.

 

Na sua opinião, como está a MPB? Pode-se dizer que ela está empobrecendo?

NM: Não. O que está acontecendo é que a indústria fonográfica ruiu. Toda a estrutura de distribuição (de discos) que existia, não existe mais e isso tem que ser repensado.

 

Da nova safra de artistas, recentemente lançados no mercado, de quem você gosta?

NM: Gosto do Paulinho Moska, Lenine, Fred Martins, Zeca Baleiro. São artistas novos que estão há 10 anos no mercado.

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