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Edson Mauro: "Eu sempre quis ser locutor." (Entrevista)

Em entrevista ao Saude, Edson Mauro, radialista e narrador esportivo, conta um pouco sobre sua profissão e seu cuidado com o seu maior instrumento de trabalho: a voz

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Esporte, trabalho e simpatia. Estas três palavras podem resumir quem é Edson Mauro. Alagoano, aos 15 anos começou sua carreira na Rádio Difusora de Alagoas lendo noticiários diários, mas como o esporte sempre foi sua paixão, bastou um teste para tornar-se locutor esportivo um ano depois. Por sorte do destino foi chamado de urgência para substituir um locutor da Rádio Globo para fazer a cobertura de um jogo em Maceió e, como fez um bom trabalho, foi convidado logo após o jogo para trabalhar na Rádio Globo no Rio de Janeiro. E ele veio. Sua ida para a Rádio deu tão certo que ele continua trabalhando na empresa até hoje.

Além do rádio, Edson Mauro trabalhou também na televisão, nas emissoras Globo, Bandeirantes, Manchete e Canal 34 da NET. Já participou da cobertura de sete Copas do Mundo, três Olimpíadas, dez temporadas de Fórmula 1, três Jogos Panamericanos e outros eventos nacionais e internacionais. Mas quem pensa que a vida de Edson Mauro se resume aos estúdios, se engana. Ele divide suas experiências em salas de aula onde ministra palestras e cursos sobre Locução Esportiva, Técnicas de Apresentação e Comunicação Verbal.

E não são só os atletas que têm seus truques. Para não forçar a voz, os locutores também têm suas manhas. Foi utilizando o antigo truque do falsete - uma espécie de artifício usado para falar com o tom de voz baixo, mas sem perder a sonoridade - que Edson Mauro recebeu com muita simpatia a equipe do www.saude.com.br na redação da Rádio Globo para falar um pouco sobre sua trajetória de vida.

 

Você começou sua carreira como locutor esportivo aos 15 na Rádio Difusora de Alagoas. Como foi isso?

Edson Mauro: Eu sempre quis ser locutor. Como eu tinha a voz mais grossa que os outros garotos do colégio, aos 13 anos comecei a fazer as apresentações e ser orador da minha turma. Eu recitava poesias, fazia apresentações e lia os textos de final de ano. Mas foi por volta dos 14 anos que eu comecei a ter um hábito que me levou a concretizar minha profissão como locutor. Eu lia diariamente as notícias do jornal em voz alta, como se eu fosse um locutor de rádio, fazendo realmente um treinamento. Além disso, meu irmão tinha um amigo radialista que trabalhava na Rádio Difusora de Alagoas, e sempre que ele passava lá em casa eu lhe pedia para me levar à rádio. Até que um dia ele me levou e fiz um teste para locutor lendo o noticiário, que era o que eu dizia ser minha especialidade. Na hora em que eu comecei a ler as pessoas da rádio ficaram impressionadas, e foi nesse dia que eu comecei a trabalhar na Rádio Difusora de Alagoas.

 

E como o esporte entrou na sua profissão?

Edson Mauro: Antigamente em Alagoas, havia um evento de esporte de abertura festiva do campeonato local que era realizado entre os doze times que iam disputar o campeonato, e cada time desses jogava partidas de 20 minutos contra os outros. As rádios aproveitavam esse evento para fazer testes para locutor esportivo. Então o chefe da equipe da Rádio Difusora sabendo que eu gostava de esportes, me convidou para fazer um desses testes. Eu fiz a cobertura do evento e comecei a fazer outros jogos. Logo depois eu fui trabalhar na Rádio Gazeta de Alagoas.

 

E como foi sua entrada para a Rádio Globo?

EM: A Rádio Globo tinha um jogo da Loteria Esportiva em Maceió para cobrir, mas o locutor que ia do Rio para Maceió perdeu uma conexão de voo e o pessoal da Rádio Globo entrou em contato com a Rádio Gazeta solicitando um locutor de emergência para fazer o jogo. Eu fiz a cobertura do jogo e depois disso fui convidado para trabalhar na Rádio Globo, no Rio de Janeiro.

 

Como locutor esportivo, existe algum esporte que prefere narrar e ao qual dá um tratamento especial?

EM: O futebol é o esporte com o qual eu tenho contato diariamente, mas eu adoro todos os outros esportes. Pelas coberturas da Rádio Globo, fui levado a me especializar também em basquetebol, voleibol, automobilismo, tênis, entre outros. Então eu acabei me especializando em todos os esportes para os quais fui requisitado a fazer cobertura, e com isso qualquer esporte que eu tenha que cobrir passe a ser mais um preferido.

 

Para que time de futebol você torce?

EM: Eu torço para dois times. Em Maceió eu sou CSA, que foi meu time da infância, de jogo de botão. E no Rio eu sou Flamengo.

 

E quando o Flamengo joga e você tem que fazer a locução. Como fica a emoção do torcedor nesta hora? Você consegue separar o locutor do torcedor?

EM: Sim, eu consigo separar o torcedor do locutor. Eu não acho justo que, por exemplo, num Fla X Flu eu tenha com o torcedor do Fluminense qualquer tipo de desequilíbrio em relação à narração ou uma má colocação. Em respeito ao torcedor, eu consigo separar, sim.

 

Armando Nogueira, em seu livro País da TV, questiona se o grito de gol pela TV é válido. Qual sua opinião sobre a vibração do locutor no momento do gol?

EM: Eu acho que o grito do narrador no momento do gol é válido. Principalmente pelo rádio, pois é um veículo que trabalha em cima do som. No rádio, o locutor faz a descrição e na hora do ápice da jogada, que é o gol, ele tem que fazer o complemento da informação. Na verdade, é um complemento do trabalho que foi feito pelo jogador e um complemento do trabalho do narrador. Em relação à televisão eu também acho válido, pois como disse, o gol é o ápice. Mesmo que de repente seja uma redundância, pois o telespectador está vendo aquilo que está sendo narrado pelo locutor. Caso contrário, não precisaria ter locutor. O telespectador simplesmente assistiria aos jogos só com as imagens.

 

Você trabalha em rádio e TV. Com qual desses dois veículos de comunicação você se identifica mais?

EM: Eu usualmente sou mais utilizado no rádio, mas já fiz algumas coberturas de grandes eventos de esportes e alguns programas na televisão. Na verdade, eu adoro os dois veículos, como também eu adoro escrever, mas hoje em dia não tenho a oportunidade de escrever para um jornal. Qualquer coisa voltada para a comunicação, seja no rádio, na televisão ou na mídia impressa, me emociona, me motiva e eu acho que sei atuar muito bem em cada um desses veículos

 

Você já cobriu vários eventos de esportes importantes, como Copas do Mundo, Olimpíadas e Temporadas de Fórmula 1. Como é a emoção de cobrir grandes eventos como estes?

EM: É uma delícia cobrir esses eventos, porque em cada um deles tenho contato com uma série de países e tenho que me informar sobre eles para poder passar informação para quem está do outro lado. Então, dou um salto cultural enorme quando cubro esses eventos.

 

De certa forma você deu um empurrãozinho na carreira do Djavan, pois foi você que o apresentou para Adelzon Alves, que o encaminhou ao produtor da Som Livre, João Mello. Fale mais um pouco sobre sua relação com o cantor.

EM: Eu me sinto muito gratificado em poder ter ajudado o Djavan. Eu consegui abrir uma porta para ele, que entrou pela maneira mais correta e soube usufruir do sucesso, como só uma pessoa com o talento dele conseguiria. Porque se a pessoa não tem talento, a porta se fecha rapidamente. Hoje, frequentemente tenho a oportunidade de conversar com ele. Nos ligamos e falamos sempre sobre o Flamengo. Um fato engraçado da nossa amizade foi que ele me ligou numa madrugada dessas para tirar uma dúvida a respeito de um jogador. Era uma aposta que ele tinha feito com o filho dele. Eu fiquei zonzo com a ligação, pois estava dormindo e não consegui lembrar o nome do jogador. A gente tem uma relação de amizade muito legal, mas devido ao nosso dia-a-dia corrido não nos vemos com frequência. Apesar disso, sempre que tem show dele no Rio eu vou até o camarim e dou um abraço afetuoso nele.

 

A voz é o seu principal instrumento de trabalho. Você tem algum cuidado especial com ela? Evita algum tipo de alimento?

EM: Tenho um tratamento especial para minha voz com a orientação de uma fonoaudióloga. Por exemplo, no dia em que tenho que fazer alguma transmissão de jogo, ao acordar eu fico a primeira hora do dia rigorosamente sem falar. Além do mais, não tomo nada gelado, evito friagem e no dia em que vou fazer alguma transmissão importante, eu tento relaxar mais, porque a voz descansada rende mais.

 

E mesmo com todos esses cuidados, sua voz já te deixou na mão?

EM: Já deixou. Principalmente quando estou gripado, pois o local mais afetado é a garganta. Quando isso me acontece faço uso de uns artifícios, como o famoso falsete com a voz, que é falar com o tom de voz baixo, mas sem perder a sonoridade e o volume.

 

Como você cuida da sua saúde?

EM: Eu caminho no mínimo quatro vezes por semana. Tenho uma alimentação que considero semi-saudável e não como carne vermelha há muitos anos. Eu realmente tenho um cuidado especial com a saúde, pois hoje estou com 54 anos e quero ter uma vida saudável.

 

O seu trabalho o obriga a viajar para vários lugares. Como você faz para manter sua saúde com tantas mudanças de clima e alimentação variada?

EM: Mesmo viajando eu me cuido e tento me adaptar às mudanças, mas sem sair dos meus costumes habituais. Em relação à alimentação, em qualquer lugar do planeta sempre tem um frango ou um peixe e uma salada. E quanto à bebida, eu só bebo vinho e água.

 

Sendo locutor há tantos anos, como você vê a importância que os atletas de hoje estão dando à saúde?

EM: Hoje em dia, os atletas têm uma conscientização muito maior do que os atletas de antigamente. Até pelo fato de que o atleta de antigamente era amador ou semi-amador, e hoje há um profissionalismo implantado e existe um controle muito rigoroso dos clubes e patrocinadores, pois eles investem dinheiro nesses atletas. Por estes motivos, este atleta é enquadrado numa dieta e numa maneira saudável de vida, com exceção, é claro, dos atletas que já estão consagrados e que fazem aquilo que querem, pois já têm nome e estão com a conta bancária resolvida.

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